Depois de toooodos os problemas que relatei no posto anterior sobre aquecedores solares no geral, ainda restava uma decisão complexa a tomar: aquecedor com tubos a vácuo ou de placas. A maioria das pessoas conhece o sistemas de placas que é bem antigo e tem vários fabricantes nacionais, já o de tubos é bem recente e muitos falam que é gambiarra, outros acham feio (eu) e os vendedores falam que ele é muito mais moderno, que toda a Europa usa e que aquece 10x mais que o de placas. No fim, os vendedores têm uma certa razão, apesar de eles serem todos fabricados na China, eles foram criados na Alemanha e são muito indicados para o clima da Europa.

A única coisa que muda entre os sistemas é a forma de esquentar a água, a parte do reservatório, instalação e dimensionamento continua o mesmo. O sistema de placas possuí uma serpentina de metal (cobre ou alumínio) com umas aletas de metal (alumínio) entre as curvas da serpentina, tudo é pintado de preto, coberto com um vidro para proteger e no fundo tem um isolamento térmico para diminuir a perda de calor para o ambiente.

 

Placas aquecedor solarplaca aquecedor solar

Já o sistema de tubos, funciona com tubos à vácuo como as garrafas térmicas. A água passa por dentro dos tubos e uma camada absorvente dentro do vidro tem o papel de esquentar a água. O único papel do vácuo é fazer o isolamento da água para o ambiente (assim como o isolamento de espuma das placas), evitando que a água perca seu calor para o ambiente mais frio. É aí que está o pulo do gato destes sistemas, pois o isolamento à vácuo é tão eficiente quanto uma garrafa térmica, capaz de manter o líquido quente por um dia todo.

 

 

Os sistemas de tubos podem aparecer de duas formas: o acoplado, o mais estranho e feio de todos, pois os tubos ficam encaixados diretamente no reservatório e ele fica bem alto no telhado. E o sistema modular, que é como o de placas, mas no lugar das placas eles colocam os tubos.

Depois de pesquisar por toda a internet convencional, não achei nada que realmente provasse que um era realmente melhor que outro, encontrei apenas “achismos” e papo de vendedor, que não é nada confiável. Então resolvi procurar onde deve-se procurar quando a porra fica séria, onde está realmente o conhecimento, no lugar que move o mundo: Google Scholar!

Pra que não tem familiaridade com o meio científico, eu explico, o Google Scholar é um dos motores de busca para artigos científicos, que são o que os cientistas publicam quando descobrem alguma coisa. Neste lugar eu encontrei a excelente dissertação do Fabio que fez seu mestrado na UFRGS no Laboratório de Energia Solar que faz muitas pesquisas nesta área e eu nem sabia que existia, você pode ler a dissertação aqui.

A proposta da pesquisa é justamente saber qual é mais indicado considerando a região do país e os custos de cada sistema. Resumindo a ópera, o sistema de tubos à vácuo tem uma eficiência energética melhor (ele produz mais calor considerando a mesma área de absorção), principalmente por sua capacidade de isolamento nos coletores. Entretanto, essa melhoria só trás grandes benefícios em locais com condições climáticas muito severas como Europa e sul do Brasil. Além disso, por ele ter uma eficiência melhor, normalmente o vendedores vendem o sistema com menos tubos, então ele acaba se igualando às placas, que geralmente são mais baratas e possuem empresas mais sólidas, com certificação do INMETRO e com uma garantia melhor.

Considerando que moro em Belo Horizonte e a diferente de preço, o de placas ficaria tudo por volta de R$ 3.000 e o de tubos uns R$ 3.700. Então optei pelo de placas mesmo. Para realmente tirar minha dúvida cheguei a mandar um e-mail para o Fabio, o autor da dissertação que mencionei acima e ele também me indicou o de placas já que eu morava em Belo Horizonte.

Então na hora de escolher analisem bem o caso de você. Os coletores de tubos, apesar de serem bem feios, não são gambiarras e são bem modernos, as empresas que os instalam é que são bem pé de cachorro, com jeito de picaretas mesmo. E os vendedores sempre vêem com um papo de que pra ele você precisa de reservatório menor porque ele esquenta mais e tenta empurrar poucos tubos, isso mata a eficiência do sistema e pode deixar ele pior que o de placas que tem uma eficiência bem definida de 1m² de área de placas para 100l de água.

 

Atualização 25/03/14:

Ontem ficou nublado o dia todo, choveu boa parte do dia e estava fazendo um frio de pouco menos de 20º. Eu e mais uma pessoa tivemos que tomar banho somente com a água quente, e estava de morno pra um pouco frio. Hoje de manhã fui ver o sistema da minha mãe que é ao lado, para saber se era um problema no meu ou não, estava bem parecido, talvez um pouquinho mais quente, mas ela também não utilizou água frio no banho à noite.

Então posso concluir, que na pior situação possível para este tipo de sistema, ele realmente perde eficiência, precisaria de um de tubos para comparar.

Atualização 26/12/14:

Estou tendo muitos problemas com a pequena caixa d’água instalada sobre o boiler. Primeiramente era a boia que não conseguia parar a vazão, depois de algumas “quebras” no braço da boia melhorou um pouco. Depois uma das caixas vazou e tivemos que usar durepox pra vedar. Depois a outra vazou e teve de ser troca, aí começaram os vazamentos da boia de novo. Tudo isso é apenas 1 ano.

Tentem sempre fugir dessas caixas, instalando de forma que as caixas da casa fiquem mais altas que o boiler, mas ainda acho que elas devem ser melhores que as bombas, que gastam energia e imagino que deem todos esses problemas também. Existem umas caixas cela, que encaixam sobre o boiler, se continuar dando problema vou tentar uma dessas.