Para economizar na energia e também dar uma força para o meio ambiente, desde o começo do projeto da casa decidir colocar aquecedor solar. Apesar de ter decidido isso muito antes, posterguei o estudo sobre os aquecedores e acabei tendo alguns problemas na hora de escolher e instalar o aquecedor.

Mesmo antes de explicar o que é o aquecedor a vácuo e de placas, acho melhor dar uma geral sobre aquecedores solares. O funcionamento destes aquecedores segue um princípio bem simples, embora eles tenham detalhes de instalação bem complexos. O funcionamento básico é o seguinte: a água mais fria sai do reservatório térmico e vai para um local onde o sol irá aquecê-la (tubos a vácuo ou placas) e depois de quente volta para o reservatório, ficando neste ciclo até ser consumida. Entretanto, para que esta circulação seja natural, algumas restrições devem ser seguidas:

1. Deve haver um desnível entre os componente do sistema, sendo que a caixa de água fria deve estar ~20 cm acima do topo do reservatório, que por sua vez deve estar ~20 cm acima do topo das placas;

2. Em poucos lugares isto é falado, mas existe uma distância máxima para o retorna de água quente das placas para o reservatório, esta distância é de 5 ou 6m, mais que isso há uma perda de carga e comprometimento da circulação que inviabiliza a circulação natural;

 

 

 

3. Os canos que ligam o reservatório com as placas não podem subir para depois descer, pois em caso de formação de bolhas de ar, elas ficariam presas e impediriam a circulação natural. Já entre a caixa de água fria e o reservatório o cano deve descer e depois subir, para não voltar água quente para a caixa fria.

Existe uma norma da ABNT, a NBR 15569 de 2008 que regulamenta os sistemas de aquecimento solar. Para minha surpresa essa norma é VENDIDA pela própria ABNT por R$ 121,00!!! Depois de procurar bastante consegui o arquivo e estou disponibilizando o mesmo aqui. E essa norma nem é tão boa assim…

Os reservatórios também têm suas peculiaridades, a maioria dos reservatórios é de baixa pressão, ou seja, não podem receber água direto da rua (existem os de alta pressão, mas são bem mais caros, é melhor usar uma pequena caixa d’água de uns 20l só para retirar a pressão). Outro problema da água do sistema não vir da caixa de água fria é que em caso de falta de água da rua, você não terá água quente! Isso mesmo, parece estranho, mas nos reservatórios comuns, precisa entrar água fria para sair quente, pois a saída de água quente fica na parte de cima do mesmo.

Uma solução, que eu usei na minha casa, é usar um reservatório de nível ou com pescador. Nem todos os fabricantes têm este tipo, cuja mágica para usar toda a água do reservatório é ter um cano flexível com uma boia na ponta como captador de água quente, desta forma, caso não entre mais água fria, ainda assim a água quente vai sair e o nível do reservatório e da saída de água vão abaixando.

 

Caso você não consiga seguir todas estas restrições, ainda lhe resta uma alternativa: sistema de circulação forçada. Essa quase foi a solução pra mim, o  problema é que como não considerei tudo isso antes de construir a torre/castelinho onde ficaria a caixa d’água fria, ela ficou baixa para caber a caixa, o reservatório térmico embaixo e ainda dar altura para as placas ficarem sobre o telhado.

Neste sistema, é instalada uma bomba elétrica que move a água entre o reservatório e as placas. Apesar do gasto com energia desta bomba ser algo em torno de R$ 7 por mês, a bomba custa caro, encarece a mão de obra, eventualmente vai precisar de manutenção e aumenta as chances de problemas no sistema, por isso gostaria de evitar a bomba a todo custo. Cheguei a pensar até em utilizar painéis solares para gerar energia para a bomba, mas isso só resolveria parte do problema, minha solução definitiva foi colocar os reservatório fora da torre, presos por um suporte metálico, que custou o preço da boma, uns R$ 700.

Outro detalhe que só descobri depois de comprar o sistema, é saber o que é responsabilidade do cliente e o que é da empresa que você está comprando. Antes de compra o vendedor falou pouco disso, mas depois de pagar apareceu um termo que eu deveria assinar, garantindo que eu iria fornecer tudo que eles exigem sob pena de pagar a visita improdutiva do técnico que seria o preço da instalação, uns R$ 400,00. Dentre outras milhares de coisas eles exigem:

– Ponto de água fria já com os registros a 1m dos reservatórios

– Pontos de água quente com rosca de 3/4” a 1m dos reservatórios

– Transporte dos reservatórios para cima do telhado!!! Minha sorte é que o serralheiro que fez o suporte fez isso pra mim

– Transporte das placas para o local da instalação. Isso ai eu reclamei com o vendedor e falei que era piada se ele queria que eu deixasse elas sobre o telhado

– Um ajudante para auxiliar o técnico no dia da instalação, brincadeira…

E mais um monte de exigência, só faltou pedir café pro cara e almoço. Se eu soubesse disso antes de pagar teria negociado essas exigências ou olhado com outras empresas.

Então pessoal, prestem bastante atenção antes de escolherem a empresa que irá instalar o seu aquecedor e também o fabricante do mesmo. Um bom lugar para começar as pesquisas por fabricante são os associados deste site: http://www.dasolabrava.org.br/associados/

No próximo post vou falar da escolha entre reservatório de placas e de tubos à vácuo, abraço!